Deixa te contar minha história

 


Você está que vendo está foto hoje não imagina as ladeiras carregando piano que me trouxeram até aqui.

 

Meus pais são retirantes do sertão cearense, da onde nasceram até capital Fortaleza são quase 400 km!

 

Saíram do interior pra São Paulo, na busca de uma vida melhor…

Era constante essa repentina mudança de cidades, em busca de melhoras.

 

Assim foi até meus 14 anos de idade, quando nos encontramos em uma comunidade no Rio de Janeiro.Eu estudava de manhã e à tarde pra não ficar sozinho em casa e me envolver com coisas erradas, saia da escola direto para o salão onde minha mãe trabalhava como manicure e ficava a tarde inteira com ela no trabalho.

 

Ali foi o meu primeiro contato com aquilo que se tornaria minha profissão!

 

Ficava encantado com desenhos e riscos feito na cabeça dos clientes, cabelos coloridos, o ambiente de descontração! Lembro do salão lotado e com cliente em espera, quando um dos cabeleireiros me chamou e pediu para que eu passasse a máquina no cabelo do cliente. Sempre ativo, não pensei duas vezes em realizar a tarefa.

 

Aquela situação foi se repetindo e todo cabelo eu ganhava uns trocados, o que me incentivava mais ainda.

 

Quando me dei conta, já estava trabalhando como barbeiro…

 

Lembra da história dos pais retirantes, sempre procurando a melhora? Então, mais uma vez optaram em se mudar pra São Paulo.

 

Cheguei aqui já sabendo cortar cabelo, mas como ainda não tinha completado meus 18 anos, fui trabalhar em obras com meu pai, seguindo assim a tradição de família e dar continuidade na profissão de gesseiro.

 

Ganhava até bem, mas não estava feliz. Sentia que faltava algo, mas precisava ajudar em casa.

 

Assim, foi passando o tempo e eu aceitando a profissão que o destino tinha me enviado.

 

Por não estar feliz, era cada vez mais constante as brigas com meu pai no trabalho, a profissão já estava desgastando muito nosso relacionamento.

 

Aos 17 quase 18 anos, veio o que seria a mudança de chave, descobri que seria pai.

 

Opa agora vai ou vai rsrs

Afinal de contas uma vida dependia dos meus esforços.

 

Sai da obra e fui trabalhar como contador de escrita fiscal. Fiquei quase 2 anos na profissão, sentia que não era aquilo ainda. Poxa nesse tempo já tinha feito de tudo um pouco, e mesmo assim não me achava profissionalmente…

 

Me pegava a noite pensando que já estava com mais de 20 anos e não tinha uma profissão, não sabia o que queria…

 

Era um jovem infeliz profissionalmente, que automaticamente refletia em tudo que estava a minha volta!

 

Nessa época, muito ativo na igreja… desenvolvi um trabalho social, ali sim eu era feliz, ajudando o próximo, mas infelizmente ajudar o próximo não coloca comida em casa (assim eu pensava).

 

Em um dos trabalhos da igreja, começamos a desenvolver projetos profissionalmente em parceria com ONGs próximas, nessas visitas eu conheci a Reviver Capão, e para conhecer mais afundo o projeto, decidi fazer um curso com eles, fui conhecer a grade de cursos gratuitos que eles ofereciam e lá estava CABELEIREIRO PROFISSIONAL, pronto estava decidido, o material eu já tinha guardado no fundo de alguma caixa lá em casa.

Fiz minha matrícula, e lá estava eu 1 vez por semana 4 horas de aula por dia, como era gratificante estar ali… o curso tinha a duração de 6 meses e na metade do curso já estava querendo trabalhar em algum salão, era aquilo que preenchia todas minhas expectativas.

 

Ao término do curso, comecei a procurar lugares para trabalhar... E assim tive minha primeira oportunidade! Uma barbearia no bairro mesmo, passava o dia varrendo cabelo e tentando aprender algo. Começo é sempre difícil e como não gerava uma renda suficiente comecei a trabalhar paralelo com obras... E assim foi durante um tempo!

 

Mas quem quer o melhor, tem que correr atrás, fui atrás de mais cursos até que fiquei sabendo que tinha curso de barbeiros na Embelleze.

 

E lá vamos nós estudar e se especializar, 8 meses de curso.

 

Durante meu curso, o instrutor responsável teve que se afasta por problemas de saúde. Poxa o curso ficaria trancado até conseguir alguém.

 

Quando foi feita a proposta, do pessoal da escola técnica através da indicação do instrutor que me dava aula, me convidando para assumir as turmas que eram dele, até o término.

 

Como assim?? Eu estava fazendo o curso e agora vou dar aula? Rsrsrs depois de uma conversa demorada, eu me dei conta que estava sendo convidado a dar aula, de algo que eu amava fazer…

 

As oportunidades elas batem na porta, você é responsável a abrir!

 

E assim eu fiz, no começo foi difícil. Pois era inexperiente 1 turma não dava para colocar comida em casa, precisava fazer algo. Mas ao invés de ir para a obra, fui atrás de barbearias com nome para trabalhar, e assim comecei minha carreira na Legends, trabalhando ao lado do shopping Ibirapuera.

 

Conhecendo assim um universo totalmente diferente do que eu estava acostumado, como assim não usa navalha, como assim não raspa na máquina zero? Fui percebendo a diferença gigante entre duas regiões nobre e periferia, como atendia as duas, tanto nobre barbearia, quando periferia dando aula, desenvolvi técnicas que eram aplicadas para atender todos os públicos…

Fui ganhando experiência passando por algumas barbearias conceituadas, dando aulas no instituto Embelleze, trabalhando com o instituto Ana Hickmann, enchendo a bagagem de conhecimento…

Assim os anos foram passando, 2020 veio à pandemia, me vi obrigado a me recolocar no mercado novamente, agora sem aula física e uma demanda de clientes consideravelmente, fui atrás de novos projetos e parcerias, assim conheci a rede Camarot, abraçaram minhas ideias e projetos e hoje estamos juntos, para mudar esse cenário atual do mercado, trazendo oportunidade a todos.

Comments